
É a tua voz que eu ouço ao acordar, todos os dias, mesmo sem estares ao meu lado. É a fragrância do teu perfume que eu sinto quando o vento passa por mim. É o teu rosto que eu vejo quando olho em meu redor. É o teu nome que eu vejo escrito em todas as palavras do dicionário. São as tuas palavras que constroem poemas na minha mente. É o teu jeito que eu encontro nos super-heróis da televisão. Mas será isto loucura ou paranóia? É amor…
Se me mandarem atirar de uma ponte para provar o meu amor, eu atiro para os teus braços pois é mais seguro. Se me mandarem ir a polícia para te encontrar, eu vou sozinha dar a volta ao mundo até chegar a ti. Se me derem o jackpot do euro milhões para ser feliz, eu digo que prefiro o teu amor. Se me derem um presente, eu rezo para que sejas tu dentro do embrulho. Se me derem o mar, eu nado até ao outro lado para te poder ver. Se me mandarem olhar pelo telescópio para ver as estrelas, eu aponto para ti. Se eu acordar e não estiver mais aqui, sei que foi por tu teres morrido, pois o nosso amor faz-me sobreviver. Se me pedirem para contar a nossa história…
“É sexta-feira e começou mais um ano de catequese, ideia que não me agrada muito. Mas este ano há algo diferente: um novo aluno que veio do estrangeiro. Que pateta! Faz tudo para dar nas vistas, é irrequieto, não consegue estar calado e ainda pensa que tem graça. Não percebo porque que ele tem tanta fama, é igual aos outros. Deixa para lá, não o conheço.
E o inverno chega e as tempestades de chuva não esperam que as chame. E como todas as sextas-feiras, há catequese. Está frio e a única coisa que apetecia era ficar deitada no sofá. Mas parece que hoje, não vou sozinha para casa. O cisne encantado que toda a gente gosta vai me fazer companhia, e, como não me agrada a ideia de ele congelar no frio, é melhor lhe emprestar a minha luva. Pronto, talvez ele não fosse tão má pessoa como eu pensava. Até me dou bem com ele. Começamos a falar, por MSN, telemóvel, e todas as sextas, íamos juntos para casa. Tornou-se um ritual. E quando me apercebo, ele já fazia parte da minha vida, tornou-se o meu melhor amigo. Ele dizia que me amava, e eu não sabia o que sentia, ou não queria acreditar que pudesse sentir o mesmo. Era uma amizade tão importante, que não queria que ela acabasse. Pedi-lhe para ele me esquecer. E ele não fez de outro jeito, arranjou outra. Mas isso fazia-me sofrer, e não se sofre por ver o seu melhor amigo feliz. Estava apaixonada por ele, um amor tinha nascido, e uma história estava para vir. A nossa história…
Eras o garanhão da tua terra, e vieste para aqui com o mesmo objectivo. Não desististe de vir atrás de mim, mas o meu feitio não é fácil. Imploravas por um beijo, e eu só te dava um abraço.
Uma tarde de catequese, outro dia de inverno, já estava de noite e já íamos embora. Os engraçadinhos que lá andavam desligaram as luzes e ficamos os dois no escuro. Empurraste-me contra ti, aprisionaste-me nos teus braços, encostaste a tua cara na minha, e pude sentir a tua respiração, o calor da tua pele, o teu corpo tão junto do meu, o teu perfume, o batimento do teu coração. Ou fugia ou enlouquecia. Fugi!
Sonhei com isto semanas, não conseguia esquecer. Era como se tivesse visitado o paraíso, as nuvens. Tinha-me tornado numa maníaca que só pensava em te amar e que não sabia como lidar com tal situação. Amar-me-ias como eu te amava?
Deixaste-a para ficar comigo, mas ainda assim, estava indecisa. Foi num dia em que o ar arrefecia-nos e nós arranjávamos maneiras para nos aquecer, que conseguiste o que há tanto desejavas. Não ouvi sinos a tocar, não vi pombos a voar a nossa volta, apenas me assustei, pois não sabia qual era a sensação. Mas nós não resultávamos, eram brigas constantemente por tudo e nada, e o medo que tu não me amasses de verdade, não me deixava em paz. Decidi desistir de ti, esquecer-te. Afinal, não eras o único rapaz no planeta, e eu podia voltar a apaixonar-me.
E assim passamos todo o verão, separados. Cada um continuou a sua vida. E quando pensei que te tinha esquecido, recebi uma mensagem e o meu coração disparou. Disparou porquê? Eu não te tinha esquecido?! Afinal parecia que não. Estavas esquecido apenas na cabeça e o amor estava guardado. Eu amava-te do mesmo jeito. Falamos sobre nós, e decidimos voltar, mas não durou muito. Ou melhor, não durou nada. Continuávamos na mesma.
E as férias acabaram e estávamos de volta a escola. Não conseguia olhar para ti, sabia que ainda estavas presente em mim. Limitava-me a desviar o olhar quando passava por ti. E foi no inicio desse ano lectivo que eu conheci um amigo, com quem me dava bem, e de quem tu tinhas ciúmes. Mandavas-me bocas, andavas atrás de mim, pedias-me para voltar. E eu nunca cedi, estava decidida a esquecer-te. Até que chega ao dia em que dei o braço a torcer, o dia em que reconstruímos o nosso amor, foi o dia 12 de Novembro.
Decidimos ir de manhã juntos para a escola, e tu estavas a minha espera. Não sabia o que dizer, estava envergonhada, afinal, tinha sido tanto tempo separados. O primeiro beijo que voltamos a dar, pareceu o primeiro de todos. Já não sabia o que isso era. Mas a partir daí tudo começou a melhorar. Brincadeiras e intimidades foram-se construindo e o um amor cada vez a ficar maior.
Hoje conheço-te como se tu fosses eu. Cada gesto, cada olhar, cada palavra, cada sorriso, cada beijo, cada abraço. É uma felicidade que construíste dentro de mim, algo que nunca imaginei um dia sentir. Ensinaste-me tanto, fizeste-me crescer ao teu lado. Sem ti, não sei quem sou, fico perdida e desorientada. Preciso de ti ao meu lado, todos os dias. Preciso que me digas que me amas, preciso que abraces, que me beijes, que me digas que o nosso amor é verdadeiro e que vai durar para sempre. Preciso que me digas palavras de amor, que me faças promessas e que jures que vais estar sempre comigo. Mas o mais importante, preciso de te dizer que te amo e de te agradecer, pois esta é a nossa história, e eu nunca irei esquecer”
3 comentários:
Pois é mesmo essa a verdade (:
obrigada (:
gostei do texto (: da historia, atribulada mas com um bom fim.
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